Serra Da Estrela_Rota Maciço Central

Mountain Microadventure – Microaventura na Montanha

Uma das minhas microaventuras preferidas é caminhar em montanha. Apesar de Portugal não ser um país com elevações extraordinariamente altas, é inacreditável a quantidade de maravilhas naturais que se concentram neste pequeno pedaço de terra!

Uma dessas maravilhas é a Serra da Estrela, justamente o ponto mais alto de Portugal Continental. Apesar de ter pouco menos de 2000m de altitude, em certas condições pode mimetizar relativamente bem o ambiente de alta montanha (sem o inconveniente do enjoo de altitude!), o que a torna no local ideal para uma microaventura de montanhismo: perto, acessível, espetacular!

O Pedro, o meu companheiro de microaventuras, costuma chamar-lhe carinhosamente “o nosso centro de treino”, pois é lá que nos refugiamos sempre que queremos matar saudades das caminhadas em montanha ou sempre que precisamos de treinar para uma (macro)aventura mais longínqua. A Serra da Estrela oferece uma infinidade de percursos oficiais, e um dos nossos preferidos é a Rota do Maciço Central (PR5 MTG), um percurso circular que se inicia no parque de campismo do Covão da Ametade. Este é um percurso de beleza inefável, mas é também extremamente desafiante física e psicologicamente.

Fisicamente está classificado como difícil, e com toda a justiça; não só pela topografia do terreno, como pela duração média que ronda as 8 horas, o que implica alguma resistência física. É verdade que a beleza das paisagens nos motiva a paragens frequentes para tentar eternizá-las em fotografias; mas há que dizer que a lenta progressão em algumas partes do percurso também se deve às suas características técnicas. Apesar de não ser necessário escalada com cordas, há rochedos íngremes que é necessário subir e descer com cuidado. Reforço no entanto que toda esta dificuldade vale bem a pena, tanto pelas paisagens deslumbrantes que temos oportunidade de contemplar, como pelos cenários em que o próprio percurso se desenrola. São montanhas grandiosas, lagos, cascatas, campos de neve ou de flores silvestres, conforme a época do ano; imagens de outra forma inacessíveis, que constituem um privilégio exclusivo para quem se atreve a vir reclamá-las. Tenho que admitir que, para mim pessoalmente, as fotografias acabam por se tornar frustrantes, porque nunca parecem suficientes e jamais fazem verdadeira justiça à realidade. Ainda assim deixo-vos alguns exemplos que tentam ilustrar aquilo a que me refiro.

Psicologicamente é também um desafio a ter em conta, uma vez que há troços que estão muito mal marcados, ou não estão marcados de todo, pois a natureza levou a melhor sobre os trilhos. A sensação de estarmos perdidos, de estarmos num sítio inacessível onde dificilmente alguém daria connosco, de termos que nos despachar antes que o sol se ponha, são pensamentos que eventualmente nos poderão passar pelo espírito em algum momento, e exigem o sangue frio necessário para não nos deixarmos levar e mantermo-nos focados no objetivo: seguir caminho e aproveitar as paisagens deslumbrantes.

Para minimizar este possível ponto de stress recomendo vivamente que ao decidirem aventurar-se neste percurso, tragam convosco um GPS de confiança. É importante ter um guia que confirme se estamos no caminho certo quando as rochas marcadas desaparecerem (e vão desaparecer!), e for necessário descer o que à primeira vista parece uma falésia intransponível; quando o caminho deixar de ser visível porque se afundou num corredor de arbustos densos, mais altos do que as nossas cabeças; quando percebermos que entre nós e o sítio para onde queremos ir há um ribeiro que temos que atravessar a pé. Nessas alturas um GPS revela-se um instrumento de utilidade primordial, e dá algum conforto ver que o triangulozinho que representa a nossa localização se mantém fielmente sobre o tracejado azul que marca o percurso.

Serra da Estrela_Rota Maciço Central

No final regressamos ao parque de campismo do Covão da Ametade, de onde partimos. O cenário idílico protagonizado por um Zêzere de leito tranquilo, onde as folhas secas pousam suavemente no Outono, e que as árvores verdejantes emolduram no Verão: mais uma fotografia antes de dar a aventura por terminada.

Serra da Estrela_Rota Maciço Central
Covão da Ametade: the starting point

Este percurso é acessível durante todo o ano, mas é fundamental verificar o estado do tempo no dia em que decidirem fazê-lo. Há que evitar dias de nevoeiro e de chuva, que para além de acarretarem algum perigo podem comprometer a experiência ótima do passeio. De resto, experimentem-no tanto no inverno como no verão, uma vez a paisagem fica totalmente transformada, sendo duas experiências completamente diferentes.

 

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MOUNTAIN MICROADVENTURE

One of my favorite microadventures is mountain hiking. Although in Portugal there are not extremely high peaks, it’s unbelievable how many natural wonders populate this tiny bit of land!

One of these wonders is Serra da Estrela, precisely the highest point of Portugal mainland. In spite of being just a little below 2000m, in certain conditions it emulates quite well the high mountain environment (without the inconvenience of AMS – acute mountain sickness), which makes it ideal for a mountain microadventure: it’s close, it’s affordable, it’s awesome!

Pedro, my microadventures partner, calls it fondly “our training center”, for it’s there we go every time we long for a mountain hike, or every time we need to prepare for a (macro)adventure abroad. Serra da Estrela offers countless possibilities of official trails, and one of our favorites is the Central Massive Route (PR5 MTG), a circular trail that starts at the camping ground of Covão da Ametade. This is a trail of unspeakable beauty, but is also a challenging one, both physical and psychologically.

Physically it’s classified as difficult, and that is for a reason. Not only for the topography of the land, but also for the average time length of 8h, which requires some stamina. It’s true that the eye catching landscapes invite us to stop frequently trying to capture them in endless pictures; but we must say that the slow progression in some parts of the trail is due to its harshness. Although we don’t need to perform climbing with ropes, there are hills and drops that require caution and technique. Once again I reinforce that all the difficulty is worth for the astonishing landscapes we gaze upon, and for the very surroundings where the path unfolds. There are gigantic mountains, lagoons, waterfalls, white fields of snow or sprinkled with wild flowers, depending on the time of the year. These sights are otherwise inaccessible; they are an exclusive privilege to those who dare to come claim them. I have to admit that for me pictures become frustrating, for they are never enough, and always fail to do justice to the reality. However, I leave you some examples to show a little what I mean.

Psychologically it’s also a challenge, because there are bits of the track that are not well marked, and others that are not marked at all. The feeling of being lost, in the middle of nowhere, where no one would find us; the oppressing notion that we need to hurry and be back before the sun goes down, all those those thoughts will eventually cross our mind. And we need to have the cold blood to let them go and focus our strengths in the goal: move forward and enjoy the ride.

In order to minimize this possible pain point I deeply recommend bringing a good GPS. It’s important to have something to rely on telling we’re on track, when the marked rocks will disappear (which they will!), and we’ll have to go down what at first glance may seem an impossible cliff; when the path disappears beneath an acre of dense bushes taller than us; and when we realize that between where we are and where we need to go there is a brook needs to be crossed on foot. At those times the GPS will prove invaluable, and it’ll be comforting to watch the small triangle that represents our location faithfully on the blue line that marks the track.

In the end we’ll be back on the camping ground of Covão da Ametade, the idyllic setting starring Zêzere river: one more picture before the adventure is over.

This trail is accessible all year round, but it’s critical to take basic precaution in checking the weather before deciding to go. Avoid foggy and rainy days, that may become dangerous in the mountain, and that are likely to spoil an optimal hiking experience. Apart from that, try this track in summer and winter, because the landscape is completely transformed, so they’re two different and totally worthwhile experiences.

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