Microadventure in the Pyrenees: Climbing Aneto

(please scroll down for english version)

Microaventura nos Pirenéus: subida ao Pico Aneto

Esta semana vou relembrar uma das microaventuras mais emocionantes que realizei no ano passado: subir o Pico Aneto, nos Pirenéus (3.404m).

Foi um super desafio, foi uma superação física e psicológica, foi uma viagem lindíssima. Caminhámos por paisagens agrestes e gigantes, que nos fazem colocar em perspetiva todas as pequenas coisas da vida, e a nossa própria vida na imensidão das coisas.

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Ao preparar uma aventura assim há vários aspetos a considerar, para que no final a experiência seja de facto memoravelmente boa. Aqui estão alguns dos que considerei mais importantes:

Treinar, treinar, treinar:

Subir o Pico Aneto é um desafio sério, pelo que uma boa preparação física é essencial. Nós não começámos do zero, uma vez que já tínhamos alguma experiência de caminhada em montanha, mas ainda assim demo-nos 3 meses para nos prepararmos especificamente para este desafio.

Um bom equipamento é meio caminho andado:

O treino é fundamental, mas a verdade é que um bom equipamento é uma ajuda preciosa para a nossa performance durante o desafio e para o sucesso do mesmo. Alguns itens que vale a pena escolher com cuidado são:

  • Os ténis: devem ser confortáveis e resistentes
  • A mochila: é importante pensar que a vamos ter que transportar durante muitas horas, pelo que, para além de ser confortável, não deve ser demasiado grande ou ir demasiado pesada.
  • A roupa: deve ser fresca e confortável para permitir boa liberdade de movimentos.
  • Mantimentos: durante todo o dia temos que nos manter nutridos e hidratados, mas não há espaço para carregar grandes quantidades de comida. Por isso nós optámos por snacks práticos, como barras energéticas ricas em hidratos de carbono, frutos secos e bebidas isotónicas.

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O tempo é a chave:

Quer queiramos, quer não, quando se fala de caminhada em montanha o tempo pode ser o nosso maior amigo ou o nosso pior inimigo. É incontrolável e incontornável, pelo que o melhor que podemos fazer é escolher uma altura do ano na qual estatisticamente as previsões sejam tendencialmente favoráveis. Nós escolhemos Agosto, sendo a época com menor probabilidade de chuva e mau tempo, mas ainda assim havia o risco de tempestades, que podem acontecer com alguma frequência no Verão.

Planear o sucesso:

Uma parte fundamental é planear bem toda a logística da aventura. Alguns pontos essenciais são:

  • A viagem até lá: nós fomos de carro e fizemos a viagem em duas partes. No primeiro dia fomos de Lisboa a Madrid. Dormimos à saída de Madrid, perto da auto-estrada para perder pouco tempo em desvios. No segundo dia fomos de Madrid a Benasque, onde chegámos à hora de almoço.
  • A chegada ao local: Foi importante termos chegado cedo a Benasque, pois deu-nos tempo para nos instalarmos com calma, fazer todos os preparativos para o dia seguinte, e deitar-nos a horas para estarmos bem frescos na madrugada seguinte 🙂
  • A véspera da caminhada: É fundamental garantir que está tudo a postos para que no dia da caminhada só tenhamos que pensar nisso mesmo: em caminhar! Algumas das tarefas a realizar na véspera são: comprar bilhetes de autocarro até o ponto de onde começa a caminhada, comprar um almoço prático, nutritivo e que possa ser transportado na mochila (não queremos passar o dia a comer barras energéticas!), preparar as mochilas, confirmar as previsões atmosféricas favoráveis; e repousar bem durante a noite.
  • O dia da caminhada: Há que definir claramente a que horas vamos começar a caminhada, e a que horas devemos regressar. Nós apanhámos o autocarro das 4h00 (que ia cheio!), e começámos a caminhar às 5h00, ainda com lanternas na cabeça. Seguimos o percurso até o refúgio de La Renclusa ainda de noite, e vimos o sol a nascer já a meio caminho da subida. O terreno é muitíssimo irregular, com imensos blocos de pedra, e todo o treino que tínhamos feito revelou-se útil! Almoçámos junto ao glaciar que antecede a subida para o cume, e definimos que tínhamos que regressar no máximo às 12h30, para chegarmos ao ponto inicial a tempo do penúltimo autocarro da tarde. Assim, caso houvesse algum atraso inesperado, ainda poderíamos apanhar o último autocarro.

Mas estar preparado para desistir, se for necessário:

Para mim, as caminhadas em montanha são uma inesgotável fonte de lições para vida. E uma das mais grandiosas talvez seja a importância de saber desistir quando é necessário. Porque muitas vezes é necessário. E não faz mal. Se desistirmos um dia porque o tempo está duvidoso, porque não temos a certeza do caminho, porque não nos sentimos bem ou por qualquer outra razão, podemos sempre tentar outra vez noutra ocasião. Se não desistirmos, e acabarmos por nos colocar numa situação perigosa, podemos nunca mais ter oportunidade de tentar…

Na nossa expedição aos Pirenéus estávamos no último troço de caminho e já avistávamos o cume “logo ali”. Mas quem já caminhou em montanha, sabe que o “logo ali” é relativo, e ainda pode significar mais um par de horas a ir e voltar. Estávamos em cima da hora que tínhamos definido para regressar, e ponderámos se deveríamos seguir para o “logo ali” do cume, ou se deveríamos manter-nos fiéis à hora planeada de regresso. Não foi preciso um grande debate para escolhermos a segunda opção, apesar de intimamente nos sentirmos frustrados por termos ficado tão próximos, e não termos ido até ao fim. Foi a decisão certa. Mais certa do que podíamos imaginar, porque pouco depois de almoço começámos a ouvir ao longe o retumbar de trovões estrondosos; e já no final da descida, depois de passarmos o refúgio de La Renclusa, começou a chover. Durante o resto da tarde a chuva miudinha foi-se adensando, e à noite transformou-se numa tempestade. Certamente não queríamos ter ficado na montanha mais 2 ou 3 horas com aquele tempo. Fizemos bem em seguir o plano!

No final ficou a vontade de voltar noutra altura para completar o desafio, mas ficou sobretudo a satisfação pela parte do desafio cumprida.

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Microadventure in the Pyrenees: climbing Aneto

This week I’m recalling one of the most thrilling microadventures I accomplished last year: climbing Peak of Aneto, in the Pyrenees (3.404m).

It was a super challenge and was a great overcoming, both physical and psychologically, it was a beautiful trip. We walked through wild and untamed landscapes; gigantic rocks that put in perspective all small things in our lives, and our very lives amongst the greatness of nature.

When preparing such a venture, there are several points to look after, so that in the end our experience is a good thing to remember. Here are some of the most important ones:

Training, Training, Training:

Climb the Aneto is no piece of cake, so it’s critical to be in a good shape. We didn’t start from zero, since we already had some experience in mountain hiking, but still we gave ourselves 3 months to prepare for this particular challenge.

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Good equipment is half a way:

Training is critical, but the truth is good equipment is a precious help. Some of the items that worth being chosen with careful attention are:

  • Shoes: must be comfortable and resistant.
  • Backpack: we’ll be carrying it for several hours, so besides being comfortable, the backpack must not be too big or too heavy.
  • Clothes: must be light and comfortable to allow free movements.
  • Food: we must keep our bodies hydrated and nourished through the day, but the space to carry food is limited. That’s why we chose convenient snacks such as energy bars, rich in carbohydrates, dried fruits and isotonic drinks.

Weather is key:

Whether we like it or not, when it comes to mountain hiking, weather can be our best friend or our worst enemy. It’s uncontrollable and unavoidable, so the best thing we can do is to chose a time of the year when the weather is likely to be good. For this hiking we chose August, which is pretty unlikely to rain, but still there could be thunderstorms, which may happen frequently in Summer.

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Plan for success:

One essential part is to have all the logistics well figured out, so you don’t have to worry with it along the way. Some key points are:

  • How to get there: we drove from Lisbon to Benasque in 2 days. On the first one we made Lisbon to Madrid, and slept near the freeway exit, so that we wouldn’t waste much time to get going in the next morning. On the second day we drove from Madrid to Benasque, where we arrived around lunch time.
  • The arrival: It was important to arrive early, because it gave us time to settle down, prepare things for the next day, and to take a proper rest in order to be fresh for the hiking.
  • The day before hiking: make sure everything is ready, so you don’t have to worry on the H day. Some of shores to tackle are: buy the bus tickets for the starting point of the hiking; buy a convenient lunch that can be carried in the back pack (you don’t want to spend the whole day eating energy bars!); prepare the backpacks; re-check the weather forecast; and get a good night’s sleep 🙂
  • The hiking day: We must define clearly what time we want to leave and what time we must return. We caught the 4am bus (which was full of people!), and started hiking at 5am, still we the headlamps on. We followed the track until the refuge of La Renclusa still by the moonlight, and we watched the sunrise when we were half way to the top. The path is extremely rough and all our training proved useful! We had lunch by the glacier, just before the last ascent to the summit, and we set our deadline to start returning at 12:30pm. It would give us time to catch the bus before the last one; and if something went wrong we still had the last one to catch.

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But be prepared to quit if it comes to that:

For me, hiking is a never ending source of lessons for live. And perhaps one of the most useful ones it the importance of knowing to quit when necessary. Because many times it’s necessary. And it’s fine! If we quit because the weather is not right, because we are unsure of the path, because we don’t feel so good, or for any other reason, we may always come back again to try some other time. On the other hand, if we don’t quit and end up in a dangerous situation, we may never have the chance to try again…

In our expedition to the Pyrenees we were in the last bit of the ascent, and we saw the summit “just there”. But who has experience in the mountains knows that “just there” may still mean 2 or 3 hours to go and come back. We were right at the time when we were supposed to start returning, and we considered for a moment if we should follow to the “just there” to the summit, or if we should stick to the plan and start returning. Not much debate was needed to chose the second option, although deep inside we felt the frustration of being so close and not making it. But we made the right decision. More than we knew, because a short time after lunch we started hearing the dull sound of thunders in the distance. And right after we passed the refuge of La Renclusa it started to rain. That night there was a huge thunderstorm, and the only thought that crossed our minds was that we wouldn’t want to have been delayed in the mountain for 2 or 3 more hours than we were there. So, in the en we were very right to stick to the plan!

In the end, we left with the desire to return another day and finish the challenge, but most of all there was the satisfaction for the part of the challenge that was accomplished with success!

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