Hiking in 5 Continents

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Caminhadas nos 5 continentes

Como já referi várias vezes, fazer caminhadas é uma das minhas paixões. Adoro a sensação de estar ativa, e ao mesmo tempo respeitar o meu ritmo. Adoro os sítios e as paisagens que podemos explorar quando caminhamos, e que não seriam acessíveis de outra forma. Quer se trate de uma trilho selvagem numa zona remota, ou de uma caminhada urbana numa grande cidade, o importante é que assim conseguimos ver detalhes que de outra forma nos passariam ao lado.

Para vos mostrar como uma caminhada pode ser épica, mesmo que seja curta ou fácil, vou partilhar convosco 5 percursos que fiz nos 5 continentes, dos quais apenas o último constitui um desafio físico mais exigente. Em cada um deles coloquei o link para o percurso (gpx) no Wikiloc, caso o queiram ver ou fazer vocês mesmos.

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Europa: Puy de Dome (França)

Destaque: O Puy de Dome é um vulcão recentemente extinto (há “apenas” 10000 anos), e é a montanha mais conhecida e a segunda mais alta da região, com 1464m. No cume encontra-se uma estação meteorológica e um templo Romano em honra do deus Mercúrio. Para se chegar lá podemos caminhar pelo chemin des muletiers, uma antiga Estrada Romana que dava acesso ao templo de Mercúrio. Ou, como alternativa podemos apanhar o funicular Panoramique des Dômes, que nos dá uma vista panorâmica das montanhas em redor. Apesar da inclinação, este é um trilho simples, sem nenhum desafio particular, e vale muito a pena pela vista do cume do vulcão.

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América: Grand canyon (EUA)

Destaque: Descida cénica do cimo do South Rim até ao fundo do desfiladeiro. Possível encontro com fauna local (ex.: veados).

Principais Desafios: O trilho é muito bem marcado, pelo que não apresenta qualquer problema de orientação. Inclusivamente há casas de banho a meio do caminho! O principal desafio são as altas temperaturas no fundo do desfiladeiro, que podem ser 10ºC superiores ao topo da encosta. Isso significa que no Verão, quando a temperatura no topo ronda os 30ºC, no fundo do desfiladeiro pode chegar aos 40ºC, tornando-se insuportável. Para evitar ser apanhado por temperaturas demasiado altas durante a caminhada, a solução é começar cedo (pelas 6h da manhã), de modo a acabar antes das horas de pico de calor. Como referência, nós demorámos 4 horas a descer e subir, mas depende muito da forma física de cada um.

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Ásia: Monte Emei (China)

O Monte Emei é uma das montanhas sagradas do Budismo, e é considerado Património Mundial da UNESCO.

Destaque: Paisagens bucólicas; a tranquilidade de templos Budistas; encontros com a fauna local (macacos); o Golden Summit a 3099m.

Fazer a subida completa do Monte Emei demora pelo menos 2 dias, dependendo das partes do trilho que se pretende realizar. Se, como foi o nosso caso, apenas tiverem um dia, podem optar por uma combinação de caminhada em determinados troços, com o eco bus (do Templo Wannian até Leidongping) e com o teleférico (de Jieyin Ting até ao topo, ou do topo até Jieyin Ting).

Principais Desafios: Como fomos no Inverno, o caminho estava coberto de gelo, o que tornava impossível caminhar sem crampons. Felizmente havia pessoas a vender uma espécie de crampons muito rudimentares, mas que foi suficiente para nos permitir deslocar. Outro aspeto que é tão fofinho como perigoso são os macacos. Claro que lhes queríamos tirar fotos, mas eles não têm medo nenhum das pessoas, e não hesitam em roubar malas ou outros pertences se tiverem oportunidade.

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Oceânia: Uluru e Kata-Tjuta (Austrália)

Destaque: Uluru é uma rocha sagrada para o povo Aborígene, e uma das mais conhecidas atrações da Austrália, sendo visitada por pessoas de todo o mundo. Caminhar à volta de Uluru é um trilho clássico e fácil. A estrada é tão regular e sem inclinação, que há pessoas a fazê-la de segway!

O Valley of the Wind (Kata-Tjuta) já não é tão fácil, devido a algumas subidas inclinadas, mas de resto não é extremamente difícil, e a vista que se tem vale bem o esforço.

Principais Desafios: Podem não acreditar, mas o principal desafio são as moscas! São imensas, estão sempre a pairar à nossa volta, e tornam-se verdadeiramente irritantes. Para evitar esse drama, as lojas na vila vendem redes que se põem na cabeça e assim protegem-nos dos ataques constantes. Dica: comprar a rede antes de chegar a Ayers Rock, porque vai ser muito mais barata. Em Ayers Rock não há alternativa às poucas lojas da vila, e elas aproveitam a necessidade premente dos turistas 😛

O outro desafio tem a ver com as altas temperaturas. O Valley of the Wind chega mesmo a fechar se as temperaturas estiverem acima de 36ºC. Dica: Começar a caminhar cedo, e evitar andar na rua durante as horas de calor.

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África: Toubkal (Marrocos)

Destaque: O Toubkal é a montanha mais alta da Cordilheira do Atlas e do Norte de África (4167m), e é um excelente desafio para os amantes da montanha.

Ao contrário dos trilhos anteriores, este requer uma boa preparação e, para o nosso nível técnico, era essencial ir com um guia. Tipicamente as viagens organizadas vão buscar as pessoas a Marraquexe, e levam-nas de carro até Imlil, a pequena vila onde começa o trekking. No primeiro dia caminhámos de Imlil até ao refúgio do Toubkal (3207m), e no segundo dia começámos a caminhar de madrugada, fomos até ao cume e regressámos a Imlil.

Principais Desafios: Neste caso é o MAA (Mal de Altitude Agudo), que nos afeta a partir dos 2500m a 3000m. A questão é que é difícil “treinar” para o evitar, quando vivemos numa cidade como Lisboa, que está basicamente ao nível do mar. Em percursos mais longos, é costume contar-se com dias extra para aclimatação, mas neste caso o trekking era de apenas 2 dias, por isso não o fizemos.

O segundo desafio, uma vez que fomos em janeiro, foi o facto de haver muita neve na montanha, temperaturas muito baixas, e de termos que caminhar com crampons. Apesar de tudo tivemos imensa sorte com o tempo, que estava limpo e cheio de sol, o que tornava as montanhas cobertas de branco numa vista magnifica de se contemplar.

Dica: Ir com um guia foi a melhor decisão. Não tivemos que nos preocupar com a preparação de refeições, tínhamos ajuda para carregar parte da bagagem, e tínhamos a certeza que não nos íamos perder. Depois de alguma análise acabámos por decidir ir com uma agência local do Atlas, e ficámos muitíssimo satisfeitos com todo o serviço.

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Hiking in 5 continents

As I mentioned often enough, hiking is one of my passions. I love the feeling of being active, while at the same time respecting my own rhythm and walking at my own pace. I love the places and landscapes that we can explore hiking, and that would not be accessible by any other means. Whether is a wild trail in a remote area, or a urban path in a big city, the point is that it always allows us to see beautiful details that otherwise we would miss.

To show you that a hiking trail can be epic, even if it’s short or easy, I’ll share with you 5 trails I did in the 5 continents, from which only the last one is physically more demanding. In each one I added the link to the gpx at Wikiloc, in case you want to check or do them yourself.

Europe : Puy de Dome (France)

Highlights: Puy de Dome is a recently extinct volcano (“only” 10000 years ago), the most well-known and second highest mountain of the region with 1464m. On its summit there is a meteorological station, and a Romanic temple in honor of the god Mercury. To get to the summit we can either hike through le chemin des muletiers, an ancient Romanic road built to take people to the temple of Mercury; or we can take the tram Panoramique des Dômes, which gives a 360º view of the mountains around. In spite of the steepness, this is a smooth trail with no particular challenges, and is totally worth for the beautiful view from the summit.

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America: Grand canyon (USA)

Highlights: Scenic descent from the top of South Rim to the bottom of the canyon. Possible encounter with wild life along the way (deer).

Key challenges: The trail is perfectly well marked, so you won’t have any orientation issues, you just have to follow the track. There are even toilets at some point of the trail! The key challenge here are the high temperatures at the bottom of the canyon, which can be 10ºC higher than those at the top of south rim. So, in summer, when temperatures at the top are around 30ºC, at the bottom of the canyon may rise above 40ºC, making the heat unbearable. To prevent this, it’s important to start early (around 6am), in order to finish before the peak heat hours. As a reference, it took us 4 hours to do the round trip, but it really depends on your fitness level.

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Asia: Mt Emei (China)

Mt Emei is one of the sacred Budhist Mountains and a UNESCO World Heritage site.

Highlights: Quiet natural landscape; peaceful Budhist temples; contact with wildlife (monkeys); the Golden Summit at 3099m.

It takes at least 2 days to hike to the summit, depending on the sections where you want to hike. If, like us, you only have one day, then you can make it by combining hiking in some sections, with the eco bus (from Wannian Temple to Leidongping) and a the cable car (from Jieyin Ting to the summit, or from the summit to Jieyin Ting).

Key challenges: We went on winter, so the icy path made it impossible to walk without crampons. Fortunately, there were people selling very a rudimentary sort of crampons that was good enough to allow us to proceed. Another feature that is both cute, but also a bit dangerous are the monkeys. Of course we wanted to take pictures with them, but they are not afraid of people, and won’t hesitate to steal your bag or your stuff if they have the chance.

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Oceania: Uluru and Kata-Tjuta (Australia)

Highlights: Uluru is a sacred rock for the Aboriginal people, and one of the main features of Australia, visited by people from all over the world. Hiking around Uluru is a classic and easy trail. The road is flat and even, so that some people even do it by Segway!

The Valley of the Wind (Kata-Tjuta) is not as easy, due to some steep sections, but other than that is not extremely difficult and the view is quite worth the effort.

Key challenges: You may not believe, but the key challenge of this trail are the flies! They are numerous and always hoovering around your head, which is super annoying. To avoid this pain, stores in the village sell fly nets that you can put on your head, thus preventing the constant assault. Pro tip: buy this net before going to Ayers Rock, because they will be much cheaper. In Ayers Rock the few stores available profit from the pressing need of unprepared tourists 😛

The other challenge are the high temperatures. The Valley of the Wind actually closes if temperature rise above 36ºC. Tip: start hiking early and avoid being out at peak heat hours.

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Africa: Toubkal (Morocco)

Highlights: Toubkal is the highest mountain of the Atlas and North Africa (4167m), and is a wonderful challenge for mountain lovers.

Unlike all the other trails that I described before, this one demands good preparation, and for our level of skill it was essential to go with a guide. Typically, organized tours get people in Marrakesh and drive them to Imlil, the small village where the trekking starts. On the first day we hiked from Imlil to the refuge (3207m) and on the second day we started at dawn, hiked to the summit and then all the way back to Imlil.

Key Challenges: Here it’s the AMS (Acute Mountain Sickness), that is likely to occur from 2500m – 3000m onwards. The thing is that it’s hard to prepare for that if you live in a city like Lisbon, which is basically at sea level. In longer trails people count on extra days for acclimatization, but in this case the trekking was only two days, so we didn’t do it.

The second challenge, as we went there in January, was that we had to deal with a lot of snow in the mountain, low temperatures, and hiking with crampons. However, we were pretty lucky with the weather, it was clear and sunny, making the mountains covered in white a magnificent sight to behold.

Tip: Going with a guide was the best decision ever. We didn’t have to worry about preparing meals, we had the mules and porter’s help to carry some of our luggage, and we were sure not to get lost. After some analysis, we decided to go with a local company from the Atlas, and we were extremely happy with all their service.

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