Arabian Nights in Morocco

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Mil e uma noites em Marrocos

Tão perto da Europa, e ainda assim um encantamento de outro mundo. Marraquexe é provavelmente uma das cidades mais místicas do planeta, onde a essência vibrante da cultura árabe se mistura com a ocidentalização inexorável que vai despontando.

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Assim que atravessamos as muralhas antigas da medina, percebemos que todos os caminhos em Marraquexe vão dar à praça principal Jemaa el-Fna. Há multidões de pessoas, turistas e locais; vendedores de tâmaras, frutos secos, artesanato e outros produtos exóticos; encantadores de serpentes; cafés e restaurantes com esplanadas que oferecem uma vista privilegiada sobre a bulício da praça. É sem dúvida um local espantoso a visitar, mas para mim é apenas o princípio das experiências extraordinárias que Marraquexe e Marrocos têm para oferecer. Se tivesse que escolher, estas seriam as quatro coisas a não perder por nada:

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Ficar numa riad

Riad vem de “ryad“, que em árabe quer dizer jardim. Trata-se de alojamentos locais, com a arquitetura tradicional árabe. Efetivamente têm um encantador jardim interior, que por vezes está decorado com uma fonte no meio. Ficar hospedado num sítio assim, é como embarcar num sonho das mil e uma noites em forma de B&B, com uma hospitalidade acolhedora, litros de chá de menta marroquino e um delicioso pequeno-almoço caseiro!

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Há uma imensa seleção de riads em Marraquexe, por isso é importante escolher cuidadosamente uma que se adeque às nossas necessidades e expectativas. Para começar, a localização é crucial, para podermos explorar a cidade a pé. Uma vez que Jemaa-el-Fna é o coração da cidade, é boa ideia usá-la como ponto de referência e escolher um alojamento nas suas imediações (diria que no máximo a 10 minutos de distância a pé). Depois há naturalmente que avaliar as outras características, para garantir que ficamos instalados o mais confortavelmente possível. Da última vez que estivemos em Marraquexe, ficámos na riad Dar Warda. É relativamente próxima da praça principal, os empregados eram super amáveis, receberam-nos como se estivéssemos em casa e o quarto era acolhedor e confortável. Se quiserem procurar outras, não se esqueçam de confirmar a distância até à praça principal 😉

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Perder-nos no souk (mas não literalmente)

Deambular no souk de Marraquexe é obrigatório quando se visita a cidade. É um labirinto vibrante de lojas coloridas e aromas exóticos, onde podemos encontrar quase tudo: desde bugigangas turísticas, bijutaria, pashminas, peças decorativas de artesanato, frutos secos, especiarias, óleos, incenso e muito mais. Todo aquele ambiente e a variedade de coisas maravilhosas convida-nos a ir às compras, como se assim pudéssemos levar para casa um pedaço daquela atmosfera deslumbrante. A consequência inevitável que daí advém é o processo de regatear. Alguns acham-no divertido e entusiasmante, outros acham-nos cansativo e frustrante. Seja qual for o vosso caso, estejam preparados, porque vai acontecer! Os comerciantes vão tentar vender toda e qualquer coisa, e no meio do regateio até se podem conseguir bons negócios. No entanto, se não estiverem para aí virados, podem sempre dizer NÃO. Nesse caso, garantam apenas que o fazem de forma suficientemente clara; educada, mas clara. E sigam caminho, caso contrário provavelmente os comerciantes não vão desistir de tentar vender 🙂

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Admirar o Atlas ao longe… e depois ir até lá e atravessar as montanhas…

… Ou melhor ainda, subir até ao cume do Toubkal, a montanha mais alta do Norte de África (4.167m).

Se forem fãs de trekking, não podem perder a oportunidade de subir esta montanha. É suficientemente desafiante para sentirmos que chegámos ao topo do Norte de África, mas é suficientemente acessível para uma pessoa minimamente em forma conseguir fazê-lo. Não envolve escalada, apenas caminhada; e não é necessária aclimatação, se o fizerem em 2 dias, pernoitando uma noite no refúgio na montanha. No Inverno a neve e o gelo tornam o percurso mais desafiante, mas o cenário branco é de cortar a respiração… tal como a falta de oxigénio a partir dos 3000m de altitude 😛

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As fotos podem dar um vislumbre da beleza da paisagem, mas as palavras não são suficientes para descrever o sentimento único de estar lá em cima. É preciso ter a experiência para compreender o que é ver o nascer do sol do topo de uma das montanhas mais altas do mundo.

 

Dica importante: para organizar este trekking escolhemos uma empresa local baseada em Imlil, que recomendo vivamente. Tivemos a experiência do Atlas real, mas todos os detalhes estavam perfeitamente organizados, sem preocupações para nós. Isso foi ótimo, porque toda a nossa energia fazia falta para a caminhada em si!

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Ir a Merzouga e fazer glamping no deserto do Sahara

O pôr-do-sol entre as dunas do maior deserto do planeta é uma experiência memorável. O crepúsculo vai alterando lentamente a cor do céu e as sombras na areia. Conforme a noite cai vai ficando frio, o céu torna-se escuro e estrelado (se tivermos a sorte de apanhar uma noite limpa) e instala-se o silêncio; um silêncio enorme que ecoa no espaço imenso à nossa volta. O acampamento berber onde estávamos emanava a sua luz parca e amarelada, que se perdia na escuridão imensa, enfatizando a mossa pequenez no meio do deserto infinito.

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No final desta aventura tinha um profundo sentimento se surpresa, sobre como uma viagem tão curta tinha sido tão transformadora. Na verdade, ninguém submerge na medina, ergue-se de seguida no Alto Atlas, abraça a solidão do deserto, e regressa a casa igual ao que era. Uma viagem vale pelo longe que nos leva, e esta provou que não são precisos muitos quilómetros para sermos levados mais longe do que nunca.


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Arabian Nights in Morocco

So close from Europe, and yet an enchantment from another world. Marrakesh is probably one of the most mystic cities in the planet. The vibrant essence of the Arabian culture, melt together with the relentless westernization that sprouts every here and there.

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As soon as we enter the ancient walls, we realize that all the ways in Marrakesh lead to the main square Jemaa el-Fna. There are crowds of people, tourists and locals alike; street vendors selling dates, nuts, crafts and other exotic products; snake charmers; cafes and restaurants with terraces that offer a great view over the lively square. It’s indeed an amazing site to visit, but for me it’s only the very beginning of the exquisite experiences that Marrakesh and Morocco have to offer. If I had to choose, these would be the top four features not to miss at all:

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Stay in a riad

Riad comes from “ryad“, that means garden in Arabic. These are local accommodations with the traditional Arabic architecture. They have a charming interior garden, often decorated with a fountain in the center. Staying in such a place is like embarking in an Arabian-nights’ dream with the shape of a B&B; with warm hospitality, tons of Moroccan-style mint tea, and delicious home cooked breakfast!

 

There is a wide range of riads in Marrakesh, so it’s important to choose carefully one that suits your needs and expectations. To start, a good location is key, so that we can explore the city by foot. Since Jemaa el-Fna is the heart of the city, it’s a good idea to use it as a reference and not be far from it (I’d say 10 min walk max). Then we have the normal features to look at to make sure we are as comfortable as possible. Last time we went to Marrakesh, we stayed in riad Dar Warda. It’s walking distance from the main square, the staff was super welcoming and kind, and the room was nice and comfortable. If you want to take a look at others, be sure to check the description and features, but don’t forget the distance to the main square as well 😉

Lose yourself in the souk (not literally, though)

To wander in the souk of Marrakesh is a must when visiting the city. It’s a vibrant maze of colorful shops and exotic scents, where we can find nearly everything: from touristy souvenirs, to jewelry, pashminas, decorative crafts, dry fruits, spices, oils, perfumes and more. All that environment and variety is likely to put us in the mood for shopping, as if we could take a piece of that charming atmosphere back home. The unavoidable consequence that comes with it is the bargain process. Some find it fun and enticing, some find it tiring and frustrating. Whether case you are, be prepared, because it will happen! The shop owners will absolutely try to sell you anything and everything, and you can actually make good deals after some bargain. However if you don’t want to buy, it’s ok to say no. Just make sure you say it clearly enough. Politely, but clearly. And then walk away, otherwise they probably won’t give up on their sale 🙂

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Gaze at the Atlas by afar…and then go there and cross the mountains…

…Or even better, hike to the summit of Toubkal, the highest mountain in North Africa (4.167m).

If you are a fan of trekking, then you can’t possibly miss the opportunity to summit the Toubkal. It’s challenging enough for you to feel that you have reached the top of North Africa, and yet it’s achievable enough for an average, relatively fit person to do it. It doesn’t involve climbing, only hiking; and it doesn’t require acclimatization, if you do it in 2 days, staying one night at the refuge in the mountain. In winter the snow and ice make it physically more challenging, but the white scenery is breathtaking… as is the lack of oxygen over 3.000m 😛

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The pictures may give you a glimpse of the trek’s beauty, but words fail to describe the bewildering feeling of being up there. One must experience it to understand how it is like to see the sunrise from the top of one of the highest mountains in the world.

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Important tip: to organize our trekking tour we chose a local company based in Imlil, which I highly recommend. We experienced the real Atlas, but everything was perfectly well organized, with no worries for us. That was very important, because we needed all our strength for the trekking itself.

 

Go to Merzouga and experience glamping in the Sahara desert

The sunset amongst the dunes of biggest desert in the planet is something to remember. The dusk slowly changes the colors of the sky and the shades in the sand. As the night falls it becomes cold, dark, starry (if we’re lucky enough to get a clear sky) and silent. The silence is enormous, echoing through the vast empty space around us. The berber camp where we were staying shed its dim yellowish light on the darkness outside, emphasizing how tiny we were amidst the immense desert.

 

In the end of this adventure I had the profound feeling of astonishment, for how such a short trip could be so life changing. Indeed, no one submerges in the medina, upraises on the High Atlas, comes down to the solitude of the desert and returns home unchanged. A trip is worth for how far it takes us, and this one proved that it doesn’t take many miles to lead us further than ever before.

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2 thoughts on “Arabian Nights in Morocco

  1. Simplesmente fantástico e inebriante a forma como pegas num “destino comum” (espero que entendas o que quero dizer) e o elevas a outro nível. Mais uma vez parabéns e mais uma vez obrigada. 🙂 Acho que seria muito feliz numa viagem assim, foi para a lista de desejos!

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