Climbing Mount Elbrus: the top of Europe

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Subida ao Monte Elbrus: o topo da Europa

Este post também podia intitular-se “6 razões para trocar umas férias de Verão na praia pela montanha”; e se não estão convencidos que seja uma boa escolha, continuem a ler e no final reavaliem a vossa opinião 😉

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Não é que eu normalmente seja uma amante de praia, mas este ano em particular escolhemos para as férias de Verão um destino fora do comum: ir à Rússia e subir o Monte Elbrus, a montanha mais alta da Europa.

Quando digo fora do comum, não é que tenhamos sido os únicos a decidir ir lá nesta altura do ano (que aliás é a melhor altura para o fazer), é apenas que a reação dos nossos amigos e familiares quando falámos do plano foi algo do género “Por que raio vão fazer uma coisa dessas?” Caso essa questão também vos esteja a passar pelo espírito, eis a resposta: porque a montanha está lá, porque ao subi-la estamos a aproveitar uma das infinitas possibilidades que a vida nos oferece de fazer coisas extraordinárias e, em última análise, porque esse tipo de aventuras exerce sobre mim uma atração inexorável (eu queria escapar, mas não consigo :P)

Agora que estão contextualizados, deixem-me guiá-los pelas boas razões 😉

Visitar belezas icónicas pelo caminho

A nossa viagem incluía uma escala em Moscovo, portanto decidimos aproveitá-la e passar um dia e meio na cidade, o que deu para uma visita rápida, mas elucidativa. Valeu bem a pena, porque Moscovo é uma cidade linda! A mim fez-me lembrar uma mistura eclética da grandiosidade dos tempos imperiais, com a robustez lúgubre do regime comunista e da guerra fria, e com a modernidade da nova era que a pouco e pouco parece começar a desabrochar, pelo menos no espírito dos moscovitas. Os famosos ícones da cidade, como a catedral de São Basílio, o Kremlin e a Praça Vermelha cumprem as mais altas expectativas, com a sua magnificência intemporal.

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Encontrar paz de espírito

Para quem, tal como eu, trabalha num escritório, então a ideia de descanso não passa necessariamente por ficar o dia inteiro de papo para o ar sem fazer nada. Pelo contrário, estou sempre ansiosa por andar de um lado para o outro e fazer várias atividades, porque tanto quanto a minha mente precisa de descanso, o meu corpo precisa de movimento! Foi por isso que esta viagem de trekking foi quase terapêutica. Reservámo-la através de uma agência local (a Pilgrim Tours) que nos organizou toda a logística de forma impecável (recomendo-os vivamente!), de modo que a única coisa que tivemos que fazer foi aparecer e caminhar. Isso permitiu-nos concentrar toda a nossa energia na caminhada em si, sem termos uma única preocupação com orientação, previsões de tempo, pensar que equipamento levar, e por aí em diante. Claro que foi fisicamente cansativo, mas psicologicamente pudemos relaxar e libertar-nos do stress.

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Manter-nos frescos

O tempo de Verão nem sempre é uma experiência maravilhosa, pode bem ser insuportavelmente quente. Claro que se estivermos perto da água podemos nadar e refrescar-nos, mas no alto das montanhas o calor nem sequer é um problema, já que a temperatura vai descendo conforme subimos em altitude. Para vos dar uma ideia, nesta viagem ao Cáucaso a temperatura na vila de Cheget (2100m) passava bem os 20ºC, no campo base (3800m) já só estavam cerca de 5ºC, e no cume do Elbrus (5642m) estavam -10ºC que se sentiam como -17ºC graças ao vento. Refrescante, não?

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Redefinir prioridades e necessidades

Vivemos num mundo de excessos desiguais, e é fácil perdermos de vista as prioridades e necessidades reais. Quando subimos uma montanha, colocamos as coisas numa nova perspetiva, por razões muito simples:

  1. Os artigos necessários são reavaliados com base na sua necessidade efetiva, ou seja, “Preciso realmente disto?” Porque se precisar, vou ter que o carregar na minha mochila, e cada grama conta. Assim acabo por perceber que afinal não preciso de todas as coisas que normalmente classifico de “essenciais”.
  2. A vida num campo base é infinitissimamente mais minimalista do que eu pensaria possível no meu ambiente normal, e ainda assim é possível! Isso faz-me perceber que há uma distância abissal entre o que eu normalmente considero o mínimo conforto e o que realmente são as minhas necessidades mínimas.

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Superar limites

Subir o Monte Elbrus, o topo da Europa, para nós foi um grande desafio. Foi preciso preparação e treino físico; exigiu determinação para lutar contra o cansaço e contra as ocasionais náuseas provocadas pela altitude; exigiu uma força além dos nossos padrões normais para conseguirmos superar com sucesso. No final, o sentimento de realização foi simplesmente demasiado grande para ser transmitido por palavras, e é algo que vem connosco montanha abaixo, e que se transporta para todos os aspetos da nossa vida, como uma voz que passa a dizer-nos ao ouvido que não há impossíveis quando há uma vontade.

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Passar bons momentos

O desafio físico e a superação de subir um dos 7 cumes são só a ponta do iceberg de tudo o que adorei nesta viagem. Houve também as paisagens de cortar a respiração das caminhadas, com montanhas nevadas, encostas verdejantes e cascatas deslumbrantes; a descoberta da região do Cáucaso, a Rússia profunda, mesmo na fronteira com a Geórgia; a oportunidade de conhecer pessoas que como nós adoram trekking; e muito, muito mais…

No final de contas, o fator mais importante é fazermos o que adoramos; e vamos sempre encontrar boas justificações para dizer que isso é a escolha perfeita. Mas mesmo que não sejam adeptos de montanhismo ou de caminhadas, uma viagem à região do Elbrus vai certamente fazer-vos apaixonarem-se pela natureza, pelas pessoas, e pela experiência diferente do que umas férias de Verão podem ser:)

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Clique aqui para a versão em Português

Climbing Mount Elbrus: the top of Europe

This post could also be titled “6 reasons why I swapped summer holidays at the beach for the mountains”; and if you are not convinced that it was a great idea, read on and reassess you opinion in the end 😉

Not that I usually am a beach lover, but this year in particular we chose for summer holidays a rather uncommon destination: go to Russia and climb Mount Elbrus, the highest mountain in Europe.

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When I say it’s uncommon, is not like we were the only ones to decide to go there at this time (which btw is the best time to go), is just that the feedback we got from friends and family when we talked about our plan was something like: “Why would you do that?” In case that question is popping on your mind as well, the answer is: because it’s there. Because we can do it. Because it’s a comprehensive exploration of the endless possibilities that life offers. And ultimately, because it casts a relentless attraction to which I’m unable to escape 😛

Now that the background is set, let me take you through the good reasons 😉

Visit iconic beauties on the way

Our trip included a stopover in Moscow, so we decided to make it count, and spent there one day and a half to have a quick tour on the city. It was well worth, for Moscow is a beautiful city. For me it brought to memory an eclectic mix of the grandeur from the imperial times, the sturdiness of the communist regime and the cold war, and the modernity of the new era that seems to blossom slowly, at least in the people’s spirit. The infamous highlights, such as St Basil’s Cathedral, the Kremlin and the Red Square live to the greatest expectations, with their timeless magnificence.

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Find some peace of mind

If, like me, you work in an office, then the idea of rest is not necessarily related to sitting all day doing nothing physical. On the contrary, I look forward to moving around and getting active, because as much as my mind needs to rest, my body needs to move! That’s why this trekking trip was almost therapeutic. We booked it with a local agency (Pilgrim Tours) that organized all the logistics for us in a flawless way (highly recommend them!); the only thing we had to do was show up and walk. It allowed us to put all our energy in the hiking itself, without ever having to worry with the navigation, checking weather forecast, thinking what equipment to take, what gear to wear, and so on. Of course it was physically tiring, but our minds could relax and shake all the stress out.

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Keep cool

Summer weather is not always a blissful experience, it can also be unforgiving and oppressively hot. Of course when we are near water we can swim and refresh, but up high in the mountains the heat is not even an issue, as the temperature dramatically decreases as we ascend. To give you an idea, during this trip to the Caucasus, the temperature in the village of Cheget (2100m) was over 20ºC, on the base camp (3800m) was about 5ºC and at the summit (5642m) was -10ºC feeling like -17ºC. Cool, huh?

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Redefine your needs and priorities

We live in a world of uneven excesses and it’s easy to lose sight of real priorities and needs. When we are climbing a mountain we put many things in a new perspective for very simple reasons:

  1. Needed items are reevaluated based on their real need, i.e. “do I really need this?” Because if so, then I’ll have to carry it on my backpack, and every gram counts. So I realize that I don’t actually need all the stuff that is usually labeled as “essential” on my daily life (and on my daily purse :P).
  2. Life in a base camp is much, much, much more minimalistic than I would think possible in my normal environment, and even though it is possible. So I realize that there is a huge gap between what I consider my minimum comfort and my actual minimum needs.

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Surpass your limits

Climbing Mount Elbrus, the top of Europe, for us was a lifetime challenge. It required preparation and physical training; it took determination to fight exhaustion and the occasional altitude sickness; it took strength beyond our normal standards to make it and succeed. In the end, the feeling of accomplishment was just too great to put in words, and it’s something that comes with you down the mountain, and that will transpose for all other aspects of your life. It’s the realization that there is no impossible, because when there is a will there is surely a way.

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Have a great time

The physical challenge and the top-of-Europe achievement were just the tip of the iceberg of all the things I loved about this trip. There were also the mind-blowing sceneries of the hikes, with snowy mountains, grassy fields and gorgeous waterfalls; the discovery of the beautiful Caucasus region, the deep Russia on the border with Georgia; the opportunity to meet like-minded people, who love hiking; and so much more…

In the end the most important factor is doing what we love, and we will always find good reasons to justify it being the perfect choice. But even if you are not a fan of trekking or mountaineering, a trip to the Elbrus region would surely make you fall in love with the nature, with the people and with a different experience of what summer holidays can be 🙂

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5 thoughts on “Climbing Mount Elbrus: the top of Europe

      1. De facto o tempo é um fator crítico quando se sobe uma montanha. Nós aqui tivemos muita sorte. Mas uma vez tentámos o Mt Huashan na China, e uma tempestade de neve não deixou.. Fiquei super desiludida, mas há-de haver outra oportunidade!

        Liked by 1 person

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